Neste final de semana as redes sociais foram inundadas de informações sobre a auditoria realizada pela Polícia Federal e Ministério Público Federal no Senac do Rio, cujo relatório final apontou pagamentos enormes para jornalistas do Rio e de SP, tudo a pretexto de palestras e conduções de eventos, informa o jornalista Políbio Braga.

O caso deriva de uma auditoria na gestão de Orlando Diniz, amigo do ex-governador Sergio Cabral, que dirigia o Senac-RJ e o SESC-RJ, derrubado no ano passado.






Relatório, publicado pelos repórteres George Marques e Ruben Berta no Intercept, demonstra que em 2015 o Senac-RJ gastou R$ 89,9 milhões em sua principal missão institucional, educação profissional, e R$ 74,5 milhões em eventos e publicidade. Uma empresa de intermediação de publicidade recebeu R$ 91,1 milhões adiantados nos anos de 2015 e 2016.

Seria dinheiro repassado depois a empresas de mídia. A Fecomércio-RJ foi uma das patrocinadoras do RJ-TV, o principal telejornal local da Globo.






Outro ponto que chamou a atenção dos auditores foi o gasto com palestras sem a realização de licitação e fora dos objetivos da entidade , algo como R$ 2,979 milhões pagos a jornalistas, comentaristas e analistas, 90% deles ligados à Globo.

Dos que se destacam na emissora, seis deles estão apontados no relatório, pelos altos valores que cobraram por suas palestras: Merval Pereira, Cristiana Lôbo, Giuliana Morrone, Sany Dana, Rodrigo Pimentel, Pedro Doria, todos comentaristas de áreas de política e economia, cobraram entre R$ 225.000,00 até R$ 375.000,00 e, juntos, receberam quase R$ 1.800.000,00 do valor total.






Quem mais recebeu em palestras foi Merval Pereira: R$ 375 mil. Merval fez “análise prospectiva sobre o que o Governo Dilma pode fazer para evitar o impeachment no Congresso, e avaliação do que seria um novo governo de união nacional com a derrubada da presidente e a chegada de Michel Temer ao governo”. A lista inclui também Cristiana Lobo R$ 330 mil), Kennedy Alencar (r$ 100 mil) e Giuliana Morrone (R$ 270 mil).